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sexta-feira, 15 de maio de 2015

O discurso de Emma Watson na ONU e a questão da igualdade de gênero




Em setembro de 2002 a atriz Emma Watson fez um belíssimo discurso na ONU para promover a igual de gênero. Ela ainda esclareceu que o feminismo não é ódio aos homens  e sim a crença de que homens e mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais.


A seguir, comentamos os principais e mais importantes aspectos do discurso de Emma que pode ser visto na integra no vídeo acima.


- Feminismo só para as mulheres?
Segundo Emma, o feminismo não é só uma luta de mulheres, é uma luta de todos inclusive uma luta dos homens, pois assim, as filhas, as irmãs e as mães desses homens se libertariam do preconceito e o filho desses homens as trataria com o respeito que merecem.


- A mesma oportunidade para homens e mulheres
Emma se sente privilegiada por sua filha não a amar menos só porque é menina, por ter não ter tido limitações e imaginar que filhos atrapalhariam seus planos. O feminismo é: "acreditar que tanto homens como mulheres devem ter direitos e oportunidades iguais. É teoria política, econômica e social da igualdade dos sexos" (WATSON, 2014)


- O direito de decidir sobre o próprio corpo
Para Emma, infelizmente não existe um país no mundo no qual as mulheres recebem o mesmo respeito que o homem. Ela afirma que é justo que se pague o mesmo salário que um homem recebe e que essas mulheres tem papel importante na vida de tanta pessoas e por isso devem decidir o que faz com o próprio corpo.


- Tomar uma postura! É preciso agir agora!
Emma convida a todos  e a comunidade internacional a fazer algo para que se reverta a situação das desigualdades de gênero. Ela pede que todos se perguntem:


"Se não for eu, quem? Se não for agora, quando? Se não fizermos dada hoje, passarão 75 anos ou talvez 100 para que uma mulher possa esperar receber o mesmo salário que um homem pelo mesmo trabalho. Mais de 15 milhões de meninas serão forçadas a se casar nos próximos 16 anos, mesmo que ainda sendo meninas" (WATSON, 2014)


Bibliografia:


CINCO ideias do discurso feminista 'viral' de Emma Watson. BBC BRASIL. 22/09/2014. Disponível em:<Bibliografia I> Acesso em: 13 Mai. 2014
Emma Watson’s speech on feminism at the United Nations is amazing. New.com.au. 22/09/2014. Disponível em:<Bibliografia II> Acesso em: 13 Mai.2014

terça-feira, 12 de maio de 2015

Mulheres na Arábia Saudita: Educação, Costumes e Direitos

Aeshah, uma jovem saudita usando o Hijab

A Arábia Saudita é um dos países mais ricos do Oriente Médio, principalmente por ser ter a segunda maior reserva e petróleo do mundo. No mais, o país também é regido pelas leis mais conservadoras do Islamismo, na qual o Alcorão é a base da constituição do país e dos direitos civis e políticos da população. A segregação de gêneros é exaltada em todo território nacional e com isso, as mulheres sauditas ficam reféns das leis islâmicas e dos costumes do país. (CORRALES, 2014)


Assim, a sociedade saudita está repleta de privações de direitos básicos para as mulheres. Dentre suas restrições estão a obrigação do uso do véu, não poder viajar, trabalhar, estudar e até se casar sem a permissão dos homens da família. Há universidades destinadas só paras as mulheres, com cursos limitados ou ligados à áreas que históricamente são propostos às mulheres como enfermagem e pedagogia. (CORRALES, 2014)
Em relação a vestimenta, o uso do hijab é obrigatório as mulheres quando saem de casa. Esse pano que cobre o rosto e os cabelos das mulheres, tem função de preservar a dignidade das mulheres e proibir que sejam desejadas por estranhos. Enquanto aos olhos ocidentais essa vestimenta é vista como ferramenta para silenciar e isolar as mulheres mulçumanas, muitas delas têm uma visão mais leve e romântica. (CORRALES, 2014)
Perguntada sobre o que pensa sobre o hijab, a saudita Aeshah Ali Awadh, de 25 anos diz que: "Vestindo o hijab eu me sinto como uma rainha que não exibe a sua beleza para o público a não ser que seja para homens de sua família ou seu marido". (CORRALES, 2014)
Outra proibição imposta às mulheres na Arábia Sudita é o direito de dirigir. No país há uma lei que impede as mulheres de terem carteira de motorista. O fato gera polêmicas no cenário internacional e também dentro do próprio país.  No dia 17 de Junho de 2011,  mulheres sauditas desafiaram a proibição de dirigir e assumiram o volante a partir de uma campanha das redes sociais chamada de Women2drive (Mulheres a dirigir, em português). (PRESSE, 2011)
Apesar dessas restrições  as mulheres da Arabia vêem um futuro mais otimista, principalmente porque o líder do país, o rei Abdullah, já realizou ações que reduziram a segregação de gêneros no país. Uma dessas ações foi o anúncio de que a partir de  2015 as sauditas poderão se candidatar e votar nas eleições locais para o conselho que supervisiona o legislativo das regiões. (CORRALES, 2014)
O ano de 2015 já chegou e espera-se que essa ação seja concretizada, pois seria um bom sinal para os avanços dos direitos humanos no pais, principalmente os direitos das mulheres.

Bibliografia:



PRESSE, Mulheres sauditas desafiam a proibição de dirigir. Folha de São Paulo. 17/06/2011. Disponível em:<Bibliografia I> Acesso em 11 Mai. 2015
CORRALES, Pedro. Uma mulher na Arábia Saudita (usando hijab, claro) Brasil Post. 07 Mar. 2014. Disponível em: <Bibliografia II> Acesso em: 22 Abr. 2015

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Carly Fiorina: A mulher mais poderosa do mundo dos negócios

Carly Fiorina é uma empresária estadunidense que nasceu no Texas, em 1954. Como sua mãe faleceu quando ela ainda era pequena, Carly recebeu uma educação baseada no trabalho duro e no respeito dos costumes tradicionais de sua família. Estudou História Medieval e Filosofia na Universidade de Standford, mas assim que licenciada, quis seguir os passos de seu pai, iniciando os estudos de direito na Universidade da Califórnia. (BIO, 2015).
Entretanto, Carly detestou a faculdade de direito e resolveu deixar o curso. Foi para a Itália, onde trabalhou como professora de inglês, recepcionista e outros trabalhos temporários sem muito futuro. Quando retornou à América, iniciou novamente seus estudos, se tornando mestre em Administração de Empresas, em 1979, pela Universidade de Maryland e pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts. (BIO, 2015).
Assim, conseguiu um emprego como secretária na Hewlett-Packard, a fim de arcar com as despesas de seus estudos, sem nunca suspeitar de que um dia lideraria tal empresa. (BIO, 2015). Em um ambiente marcado pela presença quase exclusiva de homens, Carly passou por várias dificuldades mas conseguiu surpreender seus colegas ao se tornar a primeira oficial feminina da divisão de Sistemas de Rede, sendo que 5 anos mais tarde, ela se tornaria chefe de vendas da América do Norte.(BIO, 2015).
Dessa maneira, em 1998, Carly ganhou o apelido de mulher mais poderosa do mundo dos negócios. Quando a HP tomou conhecimento de seu sucesso, em 1999, tratou imediatamente de contratá-la, tornando-se assim a primeira mulher a assumir a liderança em uma empresa da Fortune 100 (ranking que contém as 100 melhores empresas para se trabalhar).(BIO, 2015).
Em maio deste ano, Carly voltou a ganhar destaque na mídia ao anunciar que disputará uma vaga republicana à presidência dos Estados Unidos. Em entrevista a ABC, ela se considera a melhor pessoa para ocupar a presidência pois entende como funciona a economia. Ela disputará a vaga com a democrata Hillary Clinton e o Senador Bernie Sanders, além de outros dois candidatos republicanos, Ben Carson e Mike Huckabee. (BIO, 2015; EXAME, 2015).


Bibliografia:


BIO. Carly Fiorina Biography. 2015. Disponível em: <Bibliografia I>. Acesso em: 09 Mai. 2015.


EXAME.COM. Carly Fiorina disputa vaga republicana à presidência dos EUA. 2015. Disponível em: <Bibliografia II>. Acesso em: 09 Mai. 2015.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Aminata Touré e as Mulheres Africanas

Aminata Touré (1962)
 Nos últimos anos, a África de modo geral tem passado por muitos movimentos de caráter político/feminista se comparados com toda a história da luta das mulheres pela igualdade de gênero no continente. O mais recente e importante deles que se chama a “Década da Mulher na África”, teve início em 2010 e vai até o ano de 2020 com objetivos de melhorar a qualidade de vida da mulher em vários parâmetros, seja ele econômico, político, cultural, familiar e até ambiental. Tal projeto tem o apoio da União Africana e de outras instituições internacionais, mostrando-se muito importante. De acordo com Celena Green da instituição Vital Voice, pioneira na luta dos Direitos Humanos, não se sabe se o movimento vai finalizar 2020, mas haverá ganhos e é promissor que o progresso decorrente do movimento seja rápido em comparação aos recentes anos.” (A INICIATIVA DA DÉCADA..., 2015)
A realidade das mulheres nos diversos países africanos não é das melhores no mundo. É muito recorrente a mídia e as diversas instituições internacionais divulgar dados e relatórios sobre o problema social que gira em torno da mulher nos países da África. Fazendo uma síntese podemos ver que a maioria das mulheres africanas não possuem educação, não pelo fato de não haver escolas, mas sim pelo fator cultural que as proíbem estudar. Outra questão muito importante que se refere ao fator cultural é as mutilações do clitóris feminino – na infância ou na adolescência variando de cultura para cultura – que ainda ocorre recorrente em diversos países, levando a morte de várias mulheres. Ademais, em algumas culturas existem o que é chamado de “Casamento Obrigatório” retirando qualquer liberdade de escolha da mulher. Entretanto há outras questões que devem ser levadas em conta, uma delas de cunho social, é observado nos diversos casos de violência física a mulher. Outro exemplo, de caráter econômico, pode ser analisado no tráfico de mulheres na África Subsaariana (JUSTO, 2014; O FEMINISMO EM ÁFRICA, 2014).
           Como mostrado acima, os problemas das mulheres no contexto social-cultural na África são gravíssimos, demandando mudanças urgentes. Umas das pessoas que almejam e atua para acontecer tais mudanças é a senegalesa Aminata Touré que alcançou no ano de 2013, o cargo de ministra no Senegal. Touré luta contra a corrupção no país e propõe uma reforma na constituição. Além do mais, sua passagem pela Organizações das Nações Unidas em desde 1995 a 2010 foi extremamente importante pois teve a oportunidade de desenvolver projetos em conjuntos com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Touré teve a oportunidade de assessorar o programa “Gênero e HIV" na África Ocidental, realizando vários trabalhos de planificação familiar e combate a AIDS no continente (PAN, 2014; TRAORÉ, 2013).
O que Touré representa? Muita coisa. A primeira delas é mostrar para as mulheres africanas que é possível ascender em uma sociedade machista. A segunda é a maneira que Touré ao considerar e tratar dos diversos problemas às mulheres na África, ela conseguiu elevar tais problemas para a agenda de organizações internacionais. A ativista política foi capaz de divulgar a questão da mulher africana no contexto mundial, mostrando problemas que muitos não enxergavam, como por exemplo o ganho político de uma mulher na África é muito mais baixo relacionado com o sexo oposto. Dessa maneira, Touré se tornou um símbolo na luta da mulher por melhorias na África e, indiretamente,  alterou a maneira como as próprias mulheres pensam da  figura da mulher africana e do feminismo no continente.

Bibliografia:
A INICIATIVA da Década da Mulher Africana e o seu Progresso Actual. Voz da America. 10 Abr. 2015. Disponível em:<Bibliografia I> Acesso em: 10 Abr. 2015.
O FEMINISMO em África. Blogueiras Negras. 2014. Disponível em:<Bibliografia II> Acesso em: 10 Abr. 2015.
PAN, Montserrat Barba. Aminata Touré, nueva primera ministra de Senegal. Feminismo About. 2014. Disponível em:<Bibliografia III> Acesso em 10 Abr. 2015
TRAORÉ. Saliou. Aminata Touré, a "Dama de Ferro" do Senegal quer acabar com a corrupção. Opera Mundi. 8 Set. 2013. Disponível em:<Bibliografia IV>  Acesso em: 10 Abr. 2015
JUSTO, Gabriella. O Feminismo na África. 2014.  Disponível em:<Bibliografia V> Acesso em: 10 Abr. 2015

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dina Kawar: A primeira mulher árabe a presidir o conselho de segurança da ONU

A embaixadora da Jordânia Dina Kawar foi eleita a primeira mulher árabe a presidir o conselho de segurança da ONU. Antes de ser nomeada ela era embaixadora da França 2001-2013, e ao mesmo tempo possuía credenciamento das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e junto à Santa Sé, desde 2002. De 2005 a 2013 ela também atuou mediando as relações de seu país com Portugal e o Vaticano. De 2000 a 2001, Kawar foi diretora do departamento de Bureau Privé de Sa Majestéle do Rei Abdullah II em Paris, sendo que anteriormente chefiou o escritório do Príncipe El Hassan, de 1991 a 2000, também em Paris. De 1985 a 1990, serviu no escritório Amman da Mesa. Kawar possui mestrado e diploma de bacharel em Relações Internacionais e estudou na universidade de Columbia e na Mills College, ambas situadas nos EUA. (UNITED NATIONS, 2014). Após quase 70 anos de história, o Conselho de Segurança da ONU será presidido por uma mulher árabe. Dina e mais 3 mulheres fazem parte do Conselho, que no ano de 2014 obteve a maior presença feminina de sua história, com seis representantes permanentes. (MULHER ÁRABE...,2015)

Ao longo dos séculos e após varias lutas, as mulheres tem tomado seu lugar de direito na sociedade, direito de serem tratadas de igual para igual. Por meados do século XX elas já lutavam pelo alcance de igualdades jurídicas, direito ao voto e participação como cidadãs. Hoje percebemos como muitas mulheres têm exercido várias funções importantes em nossa sociedade, funções que antes eram destinadas apenas a figuras masculinas. Dina Kawar é uma dessas mulheres que ocupa um importante cargo, ela foi eleita como a primeira mulher árabe a presidir o Conselho de Segurança da ONU, cargo que antes era voltado apenas para membros do sexo masculino.  Assim, Kawar se comprometeu a representar não somente seu país, mas também todas as mulheres árabes, que na maioria das vezes são estereotipadas, vistas como submissas e frágeis. Talvez Dina possa mudar um pouco esse quadro e mostrar que através do esforço qualquer pessoa, sendo mulher ou homem, é capaz de ser o que quiser, promovendo a busca por uma igualdade de gênero. (EM 25 ANOS...,2015)

Bibliografia:

MULHER árabe preside pela primeira vez Conselho de Segurança da ONU. G1. 03 Abr. 2015 Disponível em: <Bibliografia I>. Acesso em: 8 Abr. 2015
EM 25 ANOS, dobra número de mulheres no comando de países em todo o mundo. OPERA MUNDO. 7 Fev. 2015. IDisponível em:<Bibliografia II>. Acesso em: 8 Abr. 2015
UNITED NATIONS. New Permanent Representative of Jordan Presents Credentials. 2014 Disponível em:<Bibliografia III>. Acesso em: 8 Abr. 2015

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Anarcofeminismo

O anarcofeminismo combina a teoria anarquista de Mikhail Bakunin com o feminismo. Ele de modo geral considera o patriarcado como uma manifestação involuntária de uma hierarquia coercitiva, que deve ser substituído por uma associação livre descentralizada. Anarcofeminismo acredita que a luta contra o patriarcado é uma parte essencial da luta de classes, e da luta anarquista contra o Estado. Sua filosofia é baseada no fato de que as luta feminista e anarquista são essenciais uma a outra. (BROWN, 1993)

Existe uma divergência entre autores anarquistas sobre o papel da mulher na sociedade. Mikhail Bakunin sempre se opôs a maneira como o patriarcado e as leis sujeitam as mulheres à absoluta dominação masculina. Ele argumentava que homens e mulheres deveriam ter direitos iguais, pois só assim em uma sociedade anarquista as mulheres poderiam ser livres e independentes para criar seu próprio modo de vida. Bakunin escreve que no futuro a família como unidade judicial e autoritária irá acabar, e as mulheres terão total liberdade sexual. Essa visão é diferente de Proudhon que acreditava na família, como base moral da sociedade na qual a mulher deveria cumprir seu papel tradicional. (BROWN, 1993)
Neste sentido o anarcofeminismo, observa o capitalismo e o Estado combinados com a ideia de patriarcado, unindo ambas as lutas contra estes tipos de hierarquia. Ele argumenta que a sociedade moderna é dominada pelo homem, que valoriza: dominação, exploração, agressão, competição e etc. Estes valores para as anarcofeministas são tidos como hierárquicos e masculinos. E fazem contraste com outros valores: cooperação, compartilhamento, compaixão e etc. Que são tidos como femininos e não autoritários. A teoria anarcofeminista é baseada, portanto na criação de uma sociedade mais igualitária e com valores mais femininos, como a ajuda mutua conceituada por Piotr Kropotkin. Nesta sociedade a participação politica feminina, ficaria distante de qualquer conceito hierarquizado do atual sistema politico estatal, sendo portanto completamente igualitária, pois uma vez quebrada hierarquia estatal, o patriarcado e a dominação masculina da sociedade passariam a ser incoerentes, com o modelo de poder descentralizado anarquista de cooperação e ajuda mutua.(RAGO, 2005)
 

 
Bibliografia:

RAGO, Margareth. Mujeres libres: anarco-feminismo e subjetividade na revolução espanhola. Verve, 2005.
BROWN, Susan L. The Politics of Individualism: Liberalism, Liberal Feminism and Anarchism. Montreal: Black Rose, 1993.



terça-feira, 17 de março de 2015

Madres de Plaza de Mayo

Mães argentinas protestando na Playa de Mayo em Buenos Aires

Durante a Ditadura Militar na Argentina, 1976 - 1983, o governo seqüestrou, torturou e matou os militantes de esquerda e todos aqueles que se afirmavam contra o regime, a maioria deles eram jovens estudantes que tentavam expressar suas insatisfações com o governo vigente. As pessoas seqüestradas foram tomadas como “Desaparecidas” e o governo passou a omitir ou eliminar qualquer registro que pudesse ajudar as famílias a encontrar os corpos de seus parentes. Além disso, qualquer discussão sobre o assunto era proibida no país. (WOMEN IN WORLD HISTORY CURRICULUM, 1996).
Entretanto, em razão do desaparecimento de seus filhos, um grupo de mães começou, no dia 30 de Abril de 1977, a organizar reuniões todas as quintas-feiras, na grande Plaza de Mayo, em Buenos Aires, com a finalidade de descobrir onde estes jovens estavam e evitar que eles fossem torturados. Elas carregavam fotos dos desaparecidos e usavam lenços brancos remetendo à memória das fraldas de seus filhos e simbolizando a paz. (PONZIO). Este foi o primeiro movimento contra a brutalidade do regime, um movimento sem violência, que foi crescendo e chamando a atenção internacional. (WOMEN IN WORLD HISTORY CURRICULUM, 1996).
Alguns grupos de Direitos Humanos se reuniram para ajudar essas mães a abrir um escritório, onde elas podiam publicar seus próprios jornais e aprender a fazer discursos. Assim, tornou-se cada vez mais difícil para o governo ignorar a presença deste grupo, que como mães, apresentaram um poderoso símbolo moral que se transformou ao longo do tempo, passando de “mulheres que procuravam proteger seus filhos”, para “mulheres que desejavam transformar o Estado de modo a refletir seus valores maternos”. (WOMEN IN WORLD HISTORY CURRICULUM, 1996).

Mulheres desafiando o poder

As Madres de Plaza é um dos mais importantes movimentos femininos em que se apresentam os questionamentos acerca da política ditatorial na Argentina. É importante destacar que a maior parte das integrantes deste grupo eram donas de casa, marcando a presença da esfera privada no espaço público. Alguns livros se destacam por apresentar informações relevantes sobre o movimento, dentre eles, Las Locas de Plaza de Mayo (1983) do jornalista francês Jean Pierre Bousquet. Neste livro, o autor relata a história dessas mães, apresentando depoimentos e recortes de notícias oficiais da época, destacando a necessidade dessas mulheres de serem vistas e terem seus direitos atendidos. (PONZIO, 2007).
Com o aumento das integrantes, inicialmente com 14 mulheres passando para mais de 200, as Madres procuram investir cada vez mais em seus papéis políticos e sociais. É através de seus testemunhos que os assassinos de seus filhos e de outras Madres desaparecidas puderam ser condenados, tornando-se assim um elemento precursor para se atingir a democracia, baseado no enraizamento de um princípio de reparação e de justiça. O corpo dessas mulheres em luta reflete uma imagem afetiva presente na maternidade, o que vai contra a lógica masculina que opõe razão e desejo. (PONZIO, 2007). Deste modo, o que se percebe na luta das Madres é um “poder oriundo da transgressão, ao permitir-lhes atuar como uma força subversiva, contrária à hegemonia representada pela figura masculina do poder”. (PONZIO, 2007, p.3). 
Assim, ao desafiarem o poder, elas incorporam uma imagem política através da conscientização de sua presença como paradigma de sua resistência, fazendo o uso, principalmente, de questões de gênero como estratégia de combate e sobrevivência em meio a um regime opressor. (DUARTE, 2007, p. 2).

Bibliografia:

DUARTE, Ana Rita Fontelles. Nem loucas, nem santas. Universidade Federal de Santa Catarina. Revista Estudos Feministas, vol 15, n.3. Florianópolis, 2007.
PONZIO, M. F. G. de A. A praça da memória: o cenário das Madres de Plaza de Mayo. Revista Palimpsesto, Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: <Bibliografia I> Acesso em: 15 Mar. 2015
WOMEN IN WORLD HISTORY CURRICULUM. Speaking Truth to Power Madres of the Plaza de Mayo. 1996. Disponível em: <Bibliografia II>. Acesso em: 15. Mar 2015.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Mulheres que fizeram história em Minas Gerais

Time Araguari
Clube Atlético de  Araguari


O Time Araguari foi a largada para o futebol feminino do Brasil. O grupo nasceu em 1958 em Ouro Preto e foi o primeiro time de futebol feminino do Brasil. Inicialmente era apenas pra ser um time formado para um jogo beneficiente, mas  devido ao sucesso continuou atuando por em campeonatos mineiros. Apesar de atuar apenas por 10 meses, o  time enfrentou a pressão da Igreja Católica e da lei que não permitiam mulheres em esportes “incompatíveis” com seu físico.

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus
Carolina foi uma escritora conhecida internacionalmente. A mineira nasceu na cidade de Sacramento em 1924 e frequentou a escola por apenas dois anos. Enquanto trabalhando como catadora de papel, Carolina também escrevia denuncias sobre a pobreza e o preconceito vivido pelos negros da época Em 1960 publicou um livro chamado de “Quarto de Despejo” que vendeu 100 mil exemplares no Brasil e mais de 1 milhão no exterior.


Helena Greco

Helena Greco
Helena foi uma belo horizontina que atuou na ditadura miliar pela defesa dos direitos humanos. Em 1977, aos 61 nos se envolveu na defesa de presos e torturados políticos. Pelo seu trabalho, recebeu diversos prêmios de direitos humanos no Brasil e no mundo e foi eleita a primeira vereadora de Belo Horizonte em 1982. O antigo viaduto Castelo Branco em Belo Horizonte é hoje chamado de Viaduto Helena Greco.



Alzira Reis

Alzira Reis

Alzira foi a primeira médica de Minas Gerais. Formada 1920, a mineira enfrentou diversos problemas como a autorização do Ministério da Educação e os argumentos da direção da Faculdade que se preocupava em “como uma mulher iria entrar em contato com os cadáveres masculinos nus?”. Ela foi uma defensora de diversos outros direitos da mulher.



Protagonismos e realizações


Não é difícil se encontrar em blogs, reportagens em revistas e livros didáticos, o famoso “homens que fizeram história”. Os homens estão em todos os lugares, na economia, na ciência, nas artes, nas ações glorificadas e até nos nomes de ruas, praças e monumentos. Mas, e as mulheres? 
À elas, principalmente no Brasil,  não faltou protagonismos e realizações, ultrapassando desafios que contribuíram para o avanço dos direitos das mulheres no Brasil. (MULHERES…, 2015). As mulheres brasileiras viveram situações degradantes durante os séculos e travaram uma luta persistente para conseguir se firmarem como cidadãs portadoras de direitos. Muito ainda falta para ser conquistado, mas refletindo sobre os casos das mineiras comentados acima é possível ver que mesmo a constituição brasileiras, as lei, as regras e até o pensamento brasileiro  da época indo ao contrário do necessidade de emponderamento as mulheres, estas já buscavam sua participação na sociedade. O primeiro time de futebol Feminino, mesmo durando 10 meses, enfrentou a Igreja Católica para continuar jogando, já a primeira médica de Minas Gerais venceu o Ministério da Educação e a própria faculdade para conseguir estudar. O ensino ás mulheres só foi estabelecido às mulheres em 1827 e o direito a cursar uma faculdade somente 52 anos depois em 1879. (BUORNICORE,  2015)


Bibliografia:

DOTTA, Rafaella. Mulheres que fizeram história em Minas. Brasil de Fato. 8 de Março de 2015.                                    
BUONICORE, Augusto. As mulheres e os direitos políticos no Brasil. 2015. Portal Vermelho Disponível em: <Bibliografia I> Acesso em 14 Mar. 2015